quarta-feira, 23 de agosto de 2023

23/08/2023 - 12h42min
Atualizada em 23/08/2023 - 12h43min

Representantes de mais 10 condomínios registram ocorrência contra imobiliária suspeita de desvio de R$ 1 milhão em Porto Alegre

Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da empresa, nessa terça-feira (22); três sócias são investigadas

Na terça-feira (22), agentes da 2ª Delegacia da Capital cumpriram mandado de busca e de bloqueio de conta bancária

Polícia Civil / Divulgação

Após a Polícia Civil realizar buscas na sede de uma imobiliária do bairro Menino Deus, em Porto Alegre, suspeita de apropriação indébita e furto qualificado de cerca de R$ 1 milhão de 26 condomínios da região, novas vítimas procuraram a 2ª Delegacia para registrar ocorrência. Nesta quarta-feira (23), o delegado Vinícius Nahan, responsável pela investigação, informa que três representantes de mais 10 condomínios da Capital denunciaram apropriação indébita. 

Agora, são mais de 30 inquéritos instaurados envolvendo 36 condomínios, a maioria do mesmo bairro onde a empresa tem sede. O valor do prejuízo, segundo apuração, passa de R$ 1 milhão. Três sócias são investigadas, mas uma delas informou GZH que se desligou do quadro societário ao saber das supostas irregularidades. Advogados das outras duas negam qualquer tipo de ilegalidade (veja nota abaixo). 

Nahan diz que os novos procedimentos são relativos a dois síndicos, cada um representa um conjunto habitacional, e também a um terceiro síndico — que atua profissionalmente nesta função — ao representar outros oito condomínios. Os três informaram que o prejuízo levantado até agora é de aproximadamente R$ 200 mil. 

Desta forma, o total de prejuízo, relativo aos 36 conjuntos habitacionais é de R$ 1,2 milhão, referente a repasses de síndicos para pagamentos de água, luz, gás e vigilância dos condomínios. Mas, conforme Nahan, não teriam sido pagos ou pagos com atraso pelo menos desde abril deste ano. 

— Estamos investigando apropriação indébita porque são valores repassados com o intuito de que a imobiliária, representante dos condomínios, pagasse pelos serviços, ou seja, é quando tu me cobra algo e eu não te devolvo. Também estamos investigando furto porque encontramos transferências bancárias diretas da conta da empresa para a conta pessoal de uma das sócias. Nesse caso há indícios de furto qualificado pelo abuso da confiança, porque ela (uma das sócias) só conseguiu furtar esse valor porque existia uma relação contratual, com vínculo, entre as vítimas, que são os condomínios, e as sócias  — explica o delegado. 

Apesar de a polícia não ter divulgado o nome da empresa, GZH apurou que trata-se da imobiliária Menino Deus. O delegado diz que dois celulares, documentos e comprovantes de transferências bancárias foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados no local.  

Segundo Nahan, os síndicos alegam que não estariam sendo atendidos sobre pedidos de ressarcimento ou de pagamentos de dívidas que não sabiam ter contraído. O delegado ressalta que todo o material recolhido será analisado nos próximos dias para se ter uma dimensão mais precisa dos supostos valores movimentados e na busca por possíveis provas. 

A advogada Mariju Maciel representa Sueli Ivone Fin Gonzales, uma das sócias da imobiliária, e procurou a reportagem na terça para esclarecer que a sua cliente se retirou da sociedade em março de 2023, por meio de uma medida judicial. Em mensagem pelo WhatsApp, a advogada afirma: "Ela, quando percebeu irregularidades, realizou o pedido de afastamento de uma das sócias, o que foi negado pela juíza. Diante disso, por não compactuar com tudo que estava acontecendo, pediu a sua retirada da empresa de forma que não só não é responsável pelos fatos que estão sendo apurados como ela própria levou as irregularidades para conhecimento da Justiça".  

Contraponto

Assinada por um grupo de advogados, uma nota enviada para GZH na noite dessa terça-feira (22) apresenta a defesa da Imobiliária Menino Deus. No texto, os advogados afirmam que "nada de ilícito foi encontrado no interior dos locais averiguados pelos serventuários do Estado". Veja a nota completa abaixo. 

"Em nome da empresa denominada Imobiliária Menino Deus, sediada a 25 anos no bairro Menino Deus, nesta Capital. Com notória e ilibada atuação em nossa sociedade.

Com o consentimento de suas sócias remanescentes, em virtude do fato ocorrido no dia 22 de agosto de 2023, em torno das 10h, na sede da empresa, ou seja, Av. Getúlio Vargas 918 policiais civis lotados na 2 DP desta Capital juntamente com o ilustre delegado cumpriram mandado de busca e apreensão oriundos de determinação judicial, em busca de objetos ilícitos e documentos pertencentes a pessoa jurídica em tela, assim como, mesmo no aludido mandado não constasse o recolhimento de bens pessoais levaram a manu militari aparelhos e notebooks daquela empresa.  

Primeiramente, cumpre esclarecer que nada de ilícito foi encontrado no interior dos locais averiguados pelos serventuários do Estado, sendo que até este momento, após dois requerimentos defensivos para ter acesso a investigação, não foram apreciados pelo delegado titular daquela DP, sendo adstrita a defesa técnica e deduzir semelhante pedido perante a 15ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre.  

Em face da gravidade dos fatos elencados pelos meios de comunicação, os quais denigrem e aviltam a imagem da empresa e de suas representantes, sem que haja respaldo no processo judicial que apura a culpabilidade dos fatos narrados.  

Diante disso, está sociedade de advogados no âmbito empresarial e criminal, está acompanhando os fatos ocorridos desde março do corrente ano, época na qual a terceira sócia da empresa retirou-se através de determinação judicial, juntamente com outros funcionários que lá labutavam há mais de 15 anos e vieram a fazer parte de outras empresas do mesmo ramo, as quais em tese configuram a formação de quartel fato que será apreciado pela autoridade competente, com pedido a ser deduzido no dia 23 de agosto de 2023, através dos profissionais que atuam na área criminal e civil, face a farta documentação probatória reunida ao longo destes meses, os quais confirmação as assertivas deduzidas pela defesa.  

domingo, 20 de agosto de 2023

Semana da Franquia mobiliza administradoras de condomínios

Evento online da BRCondos acontece entre 29 e 31 de agosto com oportunidades exclusivas para empreendedores que querem despontar na área de administração de condomínios

Por Beatriz Quintas
10/08/23 03:18 - Atualizado há 10 dias

BRCondos impulsiona expansão de administradoras de condomínios com evento gratuito

Por serem responsáveis por inúmeros serviços que garantem a tranquilidade na vida condominial, é comum que administradoras de condomínios concentrem boa parte de sua energia no atendimento de demandas. Deste modo, seu crescimento e a qualidade de vida dos condôminos são diretamente impactados. 

Com o intuito de garantir mais rentabilidade para quem deseja investir nesse mercado, a administradora BRCondos promove entre 29 e 31 de agosto a Semana da Franquia, totalmente voltada a empreendedores que buscam expandir sua atuação no segmento condominial unindo forças à rede.

O evento gratuito e online terá em sua programação palestras virtuais que reunirão especialistas para compartilhar estratégias bem-sucedidas na administração de condomínios. As inscrições podem ser feitas por meio deste link.

Condições especiais para novos franqueados da BRCondos 

A empresa, referência em gestão de condomínios, está presente em mais de 150 municípios e tem se empenhado em ampliar sua gama de soluções, proporcionando aos franqueados uma otimização operacional.

Durante a Semana da Franquia, quem ingressar na rede terá acesso a facilidades de pagamento e as três primeiras administradoras de condomínios que fecharem negócio contarão com condições especiais. Além disso, serão liberados conteúdos exclusivos sobre o mercado condominial a todos os participantes.

"Vamos a campo acompanhar os primeiros passos deles, para que, com a segurança de uma marca reconhecida nacionalmente, tenham mais assertividade nos seus resultados", detalha Fernando Willrich, vice-presidente da BRCondos.

A programação será focada em impulsionar o crescimento e a alta performance no setor condominial e será transmitida ao vivo por meio do site do evento. Confira abaixo os detalhes:

29/08 | 15h | Como alcançar a alta performance no mercado condominial 

Participação: Letícia Duarte (síndica e especialista em condomínios)Aprenda com Letícia Duarte - síndica, responsável por formar a nova geração de síndicos do Brasil - e entenda como acelerar o seu crescimento pessoal e profissional, atuando com alta performance no mercado condominial.

30/08 | 15h | Segredos e Estratégias Comerciais de Sucesso 

Participação: Valdir Oliveira (Franqueado BRCondos)

Entenda, na prática, como iniciar uma carreira no mercado condominial começando do zero e tenha acesso ao depoimento inspirador de Valdir Oliveira, Franqueado BRCondos, que irá revelar as estratégias de sucesso que o levaram a administração dos maiores condomínios da América Latina.

31/08 | 15h | Como atingir o 1º lugar na área condominial 

Participação: Jordana Müller (gestora de expansão da BRCondos) e Fernando Willrich (vice-presidente e franqueado da BRCondos)

Nesta última etapa, você descobrirá como atingir o 1º lugar em resultados e rentabilidade na área condominial. Será um momento para tirar dúvidas e entender de vez como alcançar a posição que a sua administradora de condomínios merece nessa corrida.

Por que fazer parte da maior rede de administradoras de condomínios do Brasil? 

Completando 10 anos de fundação, a BRCondos consolidou seu modelo de gestão com tecnologia própria no mercado condominial, garantindo às unidades franqueadas:

"Por meio da tecnologia, incorporamos soluções que trazem a transparência e qualidade exigidas por síndicos e moradores. Todas as movimentações financeiras que acontecem dentro do nosso sistema, por exemplo, exigem o lançamento de notas fiscais, tornando o processo 100% auditável", explica a gestora de expansão Jordana Müller.

A grande proposta, no entanto, é possibilitar às administradoras de condomínios mais agilidade e retornos financeiros no dia a dia. Para tanto, a BRCondos atua em três frentes: Redução de custos operacionais: 70% dos processos são absorvidos pelo backoffice da empresa, centralizando as atividades em células geridas por especialistas.

Melhora da rentabilidade: Enquanto uma administradora tradicional atende 5 condomínios com 1 colaborador, em média, as franqueadas atendem 20 empreendimentos. Logo, os lucros aumentam como uma consequência natural.

Foco no crescimento: Compartilhando as atividades administrativas, é intrínseca a melhora na gestão de pessoas e processos. Com esse modelo de negócio, a administradora concentra energias em sua expansão e não mais nas atividades operacionais.

Além dessa otimização, a BRCondos ainda permite que os ganhos sejam multiplicados com o cross-selling de serviços de cobrança, automação e seguros. Em breve, também será anunciada uma novidade em soluções financeiras. Deste modo, a Semana da Franquia surge como uma oportunidade para conhecer a fundo a rede, adquirindo conhecimentos úteis para a gestão condominial.

"É uma campanha inédita, feita de maneira muito orgânica, cuja finalidade é buscar novos aliados, que podem ser tanto pessoas que desejam abrir uma administradora ou alguém que já atue nesse mercado e procura expandir seus negócios", ressalta Willrich.

Faça agora mesmo sua inscrição no evento, clicando aqui: https://bit.ly/3Qv5bsN

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Sendo síndico um cargo político, nem todos estão preparados

A partir da etimologia da palavra "síndico", advogado reforça que não é todo mundo que pode ocupar o cargo, citando os requisitos indispensáveis para o verdadeiro gestor

Por Gustavo Camacho*

O síndico é um político em sua essência, devendo servir como instrumento da Justiça junto a sociedade na qual atua

Com o mercado condominial em expansão e a crescente demanda por síndicos profissionais, muitas pessoas têm se interessado em ocupar a função de síndico. Mas, será que qualquer pessoa possui virtudes para ser um síndico?

Assim como em qualquer outra atividade profissional, é indispensável que o indivíduo conheça a si mesmo e encontre na motivação interior, o seu propósito de vida, aquilo que justifica a sua existência e o faz levantar da cama todos os dias, independentemente das circunstâncias.

O indivíduo que conhece o seu propósito acaba por não se apegar aos elementos exteriores e efêmeros, eis que impõe a sua vontade para exercitar o caminho almejado em busca da expressão de um ideal.

Já quem desconhece suas motivações interiores, vincula-se facilmente aos elementos exteriores, derivados dos desejos corporificados nos resultados de suas ações, tais como bens materiais, prestígio, poder, etc.

Há que se ressaltar que aquele que não cumpre o seu propósito trai, não apenas a si próprio, mas a toda a sociedade que deixa de ter os seus melhores frutos.

Vincular-se aos desejos e as paixões materiais e traçar metas físicas e financeiras, bem como abrir campo para a corrupção, rompendo valores éticos e morais de um indivíduo sob o argumento de que um objetivo exterior poderá ser alcançado mais brevemente, tem um alto custo.

Corrupção em condomínio: Saiba identificar e agir

Trabalhar com esta mentalidade é aguardar para viver os prazeres exteriores da vida, pois, aqui neste cenário, o enfoque é o resultado e não as experiências obtidas durante o percurso - mentalidade que conduz o individuo à uma prisão mental cujo carcereiro é ele próprio. De fato, conhecer o seu propósito leva o indivíduo a viver o trabalho e não apenas sobreviver dele.

E o que o síndico tem haver com tudo isso?

De acordo com a tradição filosófica clássica, existem 4 ideias superiores junto ao plano não manifestado:

(A) Beleza

(B) Bondade

(C) Verdade

(D) Justiça.

Estas quatro ideias, plasmadas no mundo manifestado representam:

(A) Artes

(B) Religiões

(C) Ciências

(D) Política

Sim! A política vincula-se a ideia de Justiça, conforme demonstrado pela representação abaixo:

Em que pese o vocábulo político seja hoje sinônimo de descrédito, a sua origem deriva da palavra pólis (antigas cidades/estado gregas). O político é aquele responsável por cuidar da pólis/cidade, sempre com a ambição de fazer mais e melhor, subjugando as suas próprias paixões em vista dos interesses da coletividade, motivando sua existência para servir.

A degradação da função da real política é capitaneada pelos politiqueiros, que se fecham em si próprios, por isso, eram chamados pelos gregos de idiotas, com a ganância de obterem resultados pessoais, a fim de que da sociedade possam servir-se.

Por isso, o síndico é um político em sua essência, devendo servir como instrumento da Justiça junto a sociedade na qual atua. Exatamente por este motivo, da análise etimológica, verifica-se que o substantivo síndico deriva do grego Syndikos, que significa: o patrocinador da Justiça.

Assim, para que esteja apto a ser síndico, o indivíduo deverá ter ciência de que o artigo 1348 do Código Civil é uma baliza mínima de suas responsabilidades, motivo pelo qual tornam os requisitos abaixo indispensáveis aos verdadeiros síndicos que desejam liderar e inspirar pessoas:

(I) conhecer-se a si mesmo,

(Ii) para que possa exprimir o seu real propósito de vida,

(Iii) sendo um efetivo instrumento do arquétipo da Justiça junto a sociedade.

(*) Gustavo Camacho é advogado sócio do Karpat Sociedade de Advogados, em Santa Catarina.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Como aplicar o “G” do conceito ESG dentro dos condomínios?

Por Revista Síndico - Última atualização: 04/05/2023

Sustentabilidade

A sigla ESG (em inglês Environmental, Social and Governance – em português Ambiental, Social e Governança) tem ganhado força no ambiente corporativo nos últimos anos. Ela compreende um conjunto de padrões e práticas que avaliam como uma determinada instituição lida com questões ambientais, sociais e de governança, ou seja, analisa em que medida as empresas viabilizam o desenvolvimento sustentável em seu dia a dia e contribuem para um futuro mais seguro para as próximas gerações.

O termo foi criado em 2004 pela Organização das Nações Unidas (ONU), e embora sempre que se fale em ESG a sigla esteja geralmente atrelada ao corporativismo, o conceito pode, e deve, ser aplicado a outros âmbitos, como no setor condominial, por exemplo. 

Na opinião de Bruno Malvezi, empresário e diretor do Grupo Impper, um condomínio pode ser considerado como uma empresa, e as administradoras, síndicos e moradores precisam entender que seguir os conceitos de ESG pode impactar positivamente a vida de cada um. “A implantação dessas práticas sempre se dá por iniciativa das lideranças, que no caso dos condomínios são os síndicos. Eles é que devem fomentar esta cultura entre os moradores, explicando os retornos que isso pode trazer em termos de redução de custos, qualidade de vida e valorização do imóvel”, afirma.

Para cumprir os propósitos ESG, os condomínios devem adotar medidas nas três frentes que compõem a sigla. Um bom começo é fazer um raio-x do status atual e, a partir dele, traçar objetivos. Tudo deve caminhar em consonância, afinal, não adianta ser ecoeficiente e não atender questões de acessibilidade para incluir os condôminos com algum tipo de limitação, por exemplo. Ou ter uma prestação de contas rigorosa pode não ser suficiente, se determinadas medidas podem otimizar os recursos e enxugar gastos sem interferir na qualidade do serviço prestado. Enfim, uma coisa acaba puxando a outra, mas vale lembrar que a aplicação do conceito ESG nos condomínios precisa ser de maneira coletiva para se chegar ao resultado esperado.

Plano de Governança

Ao aplicar o ESG na gestão de condomínios, no que diz respeito ao pilar da governança, as palavras de ordem são ética e transparência na contratação e prestação de contas, com mecanismos de controle interno e de compliance bem definidos e a participação ativa dos condôminos em todas as decisões. Por isso, o gestor deve oferecer canais para o diálogo, o debate saudável e o compartilhamento de ideias que possam trazer benefícios para todos.

Além disso, a governança condominial também pode ser melhorada através da responsabilidade na gestão dos recursos do condomínio. Para o advogado especialista em direito imobiliário, Leandro Sanchez, a auditoria preventiva, atuando como Conselho Fiscal independente, pode atuar como balizador importante nesse processo, já que a gestão eficiente de recursos financeiros, incluindo a realização de orçamentos, monitoramento de gastos e manutenção de registros financeiros precisos e transparentes, tranquiliza toda a comunidade envolvida. 

“A auditoria condominial também pode ser instrumento para avaliar a atuação dos gestores na administração do condomínio, dando maior tranquilidade aos condôminos através da emissão de relatórios mensais de acompanhamento”, exemplifica Leandro.

Por fim, a conduta corporativa do síndico também faz parte da governança, pois se refere à sua postura para fazer cumprir a convenção, o regulamento interno e as decisões da assembleia como previsto no Código Civil. Seu comportamento ético deve servir de inspiração para os colaboradores, condôminos, parceiros e prestadores de serviço.

Quanto antes o condomínio se movimentar em direção ao ESG, mais fácil será sua adaptação. Ficar de fora não é mais uma opção. “Os condomínios comerciais de grande porte e os corporativos já adotam há mais tempo sistemas de gestão mais profissionais e qualificados. Agora chegou a vez de os condomínios residenciais também serem administrados de forma mais eficiente e com olhar voltado a todas essas tendências”, aponta Bruno Malvezi.

No entanto, é importante lembrar que a implementação de práticas ESG deve ser feita de forma planejada, de modo a garantir que os benefícios sejam sentidos a médio e longo prazo. É importante envolver todos os públicos (moradores, síndico, conselho fiscal, conselho consultivo, auditores, independentes, administradores e outros envolvidos) no processo de implementação dessas práticas, de modo a garantir o sucesso e a sustentabilidade de todas as iniciativas.

Para Leandro Sanchez, a valorização do imóvel em condomínios que adotarem essas práticas e políticas de responsabilidade social, ambiental e de governança será, sem dúvida, um benefício adicional e relevante dessas iniciativas. Isso pode ocorrer por vários motivos, incluindo a criação de um ambiente de trabalho mais atraente e saudável, com a diminuição dos custos operacionais, maior transparência na gestão financeira e no aumento da satisfação e do bem-estar dos moradores. 

“A valorização também pode ser influenciada pelo crescente interesse dos investidores e compradores por imóveis sustentáveis, responsáveis, com administração transparente e comunicação clara, tornando-o mais atraente para venda. Neste caso, todo mundo ganha!”, defende o advogado.

As boas práticas ambientais, sociais e de governança devem ganhar cada vez mais força na agenda condominial. Os benefícios e as oportunidades que as abordagens ESG no condomínio podem propiciar não serão conquistados da noite para o dia, mas com esses exemplos, um condomínio pode atender os requisitos do ESG. É importante frisar que ainda não se tem uma certificação ESG para condomínios, mas há estudos em andamento com essa finalidade. 

As práticas do ESG são um caminho sem volta em todos os níveis da sociedade, tornando-se estratégicas para a administração, seja empresarial ou condominial, elas agregam valor ao cotidiano de quem nesse conceito está inserido. O ESG também vai além de atos. Nele, representantes de empresas, de condomínios ou de onde mais for, se tornam não só agentes executores de ações, mas também multiplicadores de conceitos e filosofias, por meio de iniciativas e campanhas que tragam reflexões e que podem mudar comportamentos e a vida das pessoas. E quando as pessoas mudam, o mundo muda também.

Por: Juliana Marques 

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Por Jaques Bushatsky*
18/05/23 01:15 - Atualizado há 2 dias

Home office em apartamentos: Um olhar legal!

Além de novas soluções arquitetônicas que contemplem o novo uso dos apartamentos, após a concretização do home office, condomínios devem criar regras para melhor convivência


As construtoras têm lançado prédios de apartamentos com destaque para áreas, dentro das unidades autônomas, destinadas à instalação de escritórios. É a concretização, já na planta, do “home office”.

É inegável que as relações de trabalho se transformaram enormemente em muitos setores, sendo inócuo que trabalhadores se dirijam a locais específicos para desempenharem as suas funções.

Home office em condomínios: Dicas e Orientações

Bancos, jornais, sociedade de advocacia, escritórios de engenharia ou arquitetura, até o Estado, muitos sistematizaram as suas rotinas, exigindo a presença física algumas vezes por mês, jamais diariamente: no dia a dia, o profissional deve desenvolver as suas aditividades em casa.

O IBGE identificou o crescimento do trabalho em casa em todo o país. Bem por isso, a Consolidação das Leis do Trabalho, desde 2011 rege esse tipo de relacionamento, e as legislações municipais passaram a cuidar dessas atividades nas residências, às vezes, também, as incentivando.

Home office em apartamentos e a ressignificação de morar em condomínio

Morar passou a significar mais do que pernoitar, descansar, ter lazer, realizar as atividades inerentes à satisfação das necessidades básicas da pessoa, passando a encampar o trabalho em casa, ao residir. E, agora os prédios são erigidos (ou os antigos são reformados) contemplando esse hábito. 

Queira-se ou não, é fato: as atividades desenvolvidas nas unidades autônomas e, em decorrência, nas áreas comuns são diferentes das antigas, provocam maior circulação de pessoas e de equipamentos; exigem períodos de silêncio, talvez exijam maior consumo de energia elétrica e de água.

Veja também: Lei do Silêncio em condomínios

Nesse contexto, deve ser recordado que o Código Civil prevê a atenção no condomínio, ao “fim a que as unidades se destinam”, sendo claro o direito de o condômino exigir e sendo dever seu, “dar às suas partes a mesma destinação que tem a edificação” (inciso IV do artigo 1336). 

Vai daí, para que não surjam discussões desnecessárias (sem esquecermos da essencialidade de darmos leitura contemporânea a dispositivos antigos) interessará que as futuras convenções (ou aquelas que venham a ser alteradas, em prédios com essas circunstâncias) tratem do trabalho residencial. 

Será simples fazê-lo: bastará retratar a verdade, que é sim, trabalhar-se-á na residência (sem desnaturar a natureza prevalentemente residencial do condomínio).

Ao serem estabelecidas regras atualizadas, deverá ser debatido cada aspecto da vida comunitária diante desse novo uso: trabalho exige silêncio, mas crianças e esportistas fazem barulho. Ao instituidor, ao síndico, aos condôminos, caberá que sejam inteligentes para alcançarem o bom equilíbrio entre as necessidades e os direitos de todos.

Igualmente, prestando-se atenção aos novos usos, caberá aos construtores de condomínios (e aos condôminos, naqueles já existentes que precisem se atualizar), investir nas características físicas e operacionais do prédio, avaliando e implementando o que for necessário para esse uso, como se faria, por exemplo, ao instalar um playground, se assim o quisessem os condôminos. Trata-se de entregar o que os condôminos (afinal, são os donos...) querem.

Dessa forma, fundamental, a contemplação prática desses novos costumes ou necessidades, presenciando-se, diga-se, estarem já há algum tempo as pessoas envolvidas agindo nesse sentido.

Seja estabelecendo novas regras no condomínio, seja adequando as respectivas administração e operação, seja construindo novos modos e aceitando as novas necessidades dos condôminos, por lógico já contemplando esses novos costumes em suas convenções. 

Em resumo: A evolução dos costumes, da tecnologia, das necessidades e dos desejos sociais integram, obviamente, novos modos de morar e novos modos de usar a unidade condominial. Nos novos condomínios, caberá analisar como estarão cumprindo a meta de ter condições de trabalho em casa, apreciando as novas convenções e as novas soluções arquitetônicas.

Nos condomínios já existentes, mãos à obra: na trilha apontada pelos novos condomínios, nos antigos pensemos e elaboremos novas regras; entendamos a lei como o exigem os tempos atuais.

Materialmente, olhemos de frente para essa evolução das práticas e costumes, acatando essa crescente necessidade dos moradores e organizando os prédios, o mais rapidamente possível (sim, mediante deliberação de condôminos) e instalando os equipamentos, efetivando as obras e contratando o pessoal.

Enfim, tudo o que se fizer necessário para propiciar o adequado atendimento, a boa prestação dos serviços que interessem aos condôminos, exatamente como quer a lei. 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

 

CIRCULAR INFORMATIVA. 

O condomínio possui sua Convenção de Condomínio, disponível no site da administradora no endereço https://www.creditoreal.com.br, e no blogger do condomínio em http://plazabourbon.blogspot.com/2015/12/blog-post_95.html onde em seu conteúdo, há um capítulo tratando de direitos e deveres dos condôminos. 

A convenção data de 2011 e tivemos ao longo de mais de uma década, muitas alterações nos hábitos e costumes dos moradores, fundamentalmente, após pandemia, exemplo o trabalho em Home Office. 

No que tange, principalmente, ao silêncio, cabe ressaltar, que aulas são ministradas on-line, audiências são realizadas e outras tantas tarefas são executadas atualmente, no dia a dia dos moradores. Assim alterações talvez sejam necessárias na nossa convenção, para o que estamos abertos e sugestões para melhorá-la e deixa-la mais atual, serão benvindas. 

Porém, enquanto isso não ocorre, é necessário que se respeite o que está expresso, no item 2 da referida convenção onde estão descritos os Direitos e Deveres dos Moradores, focando o item 2.15 principalmente, que se refere aos horários de silêncio, nos dias e horários ali previstos. Lembrando que é uma indicação pois hoje qualquer ruído não programado poderá interferir nas tarefas e atividades de outros moradores vizinhos. 

Sabe-se que o síndico, como personagem de liderança dentro do condomínio, precisa fomentar o caminho para que ocorra mais integração. É fundamental ter uma preocupação constante com o humanismo na gestão. Não se deve reduzir a administração do prédio a rotinas burocráticas semelhantes às de uma empresa.

 

Para ser bem-sucedido, não basta apenas pagar corretamente as contas. O síndico tem que pensar no conjunto como um organismo vivo, um grande lar. Um dos requisitos para assumir o cargo deve ser a habilidade de manter contatos pessoais e de boa comunicação., porém sozinho muitas de suas iniciativas tendem a não prosperar.

 

Claro que as diferenças de perfil e personalidade entre condôminos acabam dificultando a desejada comunhão. A maioria dos condomínios é formada por moradores que adquiriram apartamentos pela atratividade financeira, sem ter estudado o ambiente ou as características de seus proprietários, o que faz com que exista uma grande diversidade de indivíduos.

 

Mas é perfeitamente possível conciliar valores diferentes e tolerar o outro. Cada um deve se desenvolver com o outro, espelhando-se como um grupo. "Viver em comunidade é um exercício de flexibilização, de ponderação e de paciência”.

 

Agir de forma coletiva esteriliza a comunidade dos problemas, estimula a participação no ambiente em que se vive e tende a ser muito mais eficiente do que atitudes solitárias. Os vizinhos estão ao lado e - goste-se ou não deles - eles permanecerão no mesmo local. Independente do grau de dificuldade, a integração comunitária é o único caminho para um dia a dia com mais tranquilidade e qualidade de vida. 

Atenciosamente - Sindico – Apto 502